domingo, 24 de fevereiro de 2013

About. Laço de fita bem amarrado, nó por baixo. Him.



Para um dos maiores.

Quando ele sorria parecia que o mar inteiro virava chocolate. Ela o considerava a coisa mais linda desse mundo. “Ele seria capaz ainda de ser sensível, de chorar comigo”, dizia. Em pouco tempo ele a conhecia em tudo, com todas as partes dela. Não lhe falava muitas coisas e ela ficava constantemente sem voz diante de como ele a sentia. Aprendeu música no lugar dela, para confortá-la e amenizar a decepção que era ela mesma. E ela sempre tentava parecer melhor do que estava pois não suportaria vê-lo pensando que ela fosse um fracasso. E só de olhar pra ele já ficava com os olhos da cor do arco-íris. Ele obrigava-se a assistir clips velhos do Michael Jackson para agradá-la. Quase nunca pedia nada, mas quando pedia era caro e ela dava de qualquer jeito. Sempre questionava, lhe criticava, tinha outra opinião. Arrependia-se e pedia desculpas. A timidez serpenteava nas costas dele feito o mar. Fragmento de minha alma. Ele, dotado de uma tristeza tão profunda que a fazia querer atingir o fundo só para conseguir entender o que ele havia enxergado. Pelo canto do olho ela sabia o que se passava. Fazia ameaças quando brigava. Vociferava. Usava e abusava das monossílabas, principalmente “nam”. Comprava cd de punk só porque era música feliz. Ia dormir com ela para tirar dúvidas sobre as outras mulheres. Lia quadrinhos. Acontecia de ser muito cruel. Abria a boca cheia de comida e parava até que ela olhasse. Deixava um bloco de notas na tela do computador. Cuidava da mãe pra ela. Cheirava a suor. Apareceu com um pearcing na língua um dia qualquer. Abraçou a festa toda. Não traiu. Bateu nela, claro. Gravou um cd com músicas para ouvir “When I´m alone”. Escreveu um bilhete. E enquanto ela o defendia de perna quebrada, ele começou a amar outra, de leão.Os reinados devem ser respeitados.

Pequeno Conto da Dor de Garganta



Se acontecer de novo e de novo e de novo, e se a minha cruz for essa? Eu não quero carregar. Dente. Porque minha garganta é um dente doendo, infernizando a tua vida.
Não sou complicada.

Amarela, dando língua uma primeira vez.

Noite de Brisa



A Brisa é o momento em que a Deusa te faz um carinho.
Hoje não consigo escrever nada amarrada. Estou em estado delicioso de revolta. Puro entretenimento. Você adorava essa música... “ you can try to stop me , but it won´t do a thing, no matter what you do, i´m still gonna be here” você tinha a letra escrita na parede do teu quarto. Tinha muita coisa escrita na parede do teu quarto que eu
nãovereimais a não ser na minha cabeça
nunca mais verei com aqueles olhos mágicos. Teu labirinto-quarto. Teus bonecos antigos, imundos, feios e engraçados e teus pôsteres na parede, expostas as pernas das mulheres, a maquiagem dos homens, os momentos de erro, todos grudados, os momentos de erro. Terra. Fotos coloridas e páginas rasgadas, declaração de amor com sangue, declaração de amor com faca, cigarro e queimadura. O extremo de tudo. A simples conversa, o dormir abraçado, o dizer eu te amo antes de virar pro lado e agüentar se tivesse calor e agüentar se sentisse dor. E gostar de luz da televisão velha, e ler tudo de você. Eu te cuspi, te despi e te dancei. Você consegue ouvir minha risada? Eu acho que consigo ouvir uma gargalhada aguda tua bem longe.

“You can´t believe it, you can´t conceive it, and you can´t touch me, ‘cause I´m untouchable, and I know you hate it, and you can´t take it, you´ll never break me, ´cause I´m unbreakable.”

Dirty Diana, noite em que a quintura de Fortaleza bateu na janela ao lado do Cristo, dezembro, 2006.

Noite no nariz



Poderia ficar um por último. Poderia ficar depois da nossa bondade, depois dos vasos encantados. Parece a voz dela, a dona. Mas não deve ser. Tudo deve acabar por aqui. Eu tenho mais. A saliva escorre pela perna. De-lí-ci-a. Não sei se a separação é assim, mas se demorar mais, que seja assim, delicioso. Eu me contento nesse momento em não te ver. Em amar a tua voz. Em amar você. Por mais que saiba que você possivelmente será mais forte, mesmo sem ter essa preocupação. E por isso mesmo será mais forte, não se mentirá mais forte, como eu faço agora, nesse instante.

Verônica.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Eu preciso de algum remédio que me faça aparecer



É possível que durante a vida a gente vá amando cada vez mais profundamente?
amor gritando, batendo em portas feito o mar, arrastando tudo, amor dançando uma primeira vez no palco, amor de bengala chorando baixinho com as mãos e os dedos machucados,
Será que sempre vai aparecer alguém que você ame mais profundamente?
amor compondo uma música que não faz idéia que ficará eterna,
MAR virando ARTE em MÚSICA,
, a r t e,
musas da Terra do Nunca dançando nuas
(amor quando consegue fazer uma quinta e uma terça na voz)
amor quando ele não consegue e viaja oito horas chorando, gasta tudo que tem, pra passar uma semana que se revela tão... qual seria a palavra mais dolorosa do mundo?
Eu tenho medo de falar-amor,
um dia pode te condicionar por uma vida.
Amor quando
TEU AVÔ MORRE
VOCÊ PERDE A FÉ.
Eu dou cambalhota até sem perna.

Amarela.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Agonia



Não diminui.
Estranho essa mulher me cercando. Há dias e dias e dias. Não pára de escorrer sangue de mim. Não se sabe o que dizer. Não chega a ser um problema muito prático. O medo já foi tema de todos e sempre há de ser até um dia em que não teremos mais medo, mas aí já estará acabado. Tem um cheiro acre nos meus dedos vermelhos. Descobri que a metódica sou eu. Será que existe algum animal que com sua força poderia sair dali, mas não sai por simples prazer de ficar à beira da morte? Deito-me nas tuas mãos, ó perversidade. Não tenho como escapar quando ela me cerca feito aranha enrolando a mosca com as patas.

Noite intranqüila por mais que eu tente, dezembro 2006.

Morte


A velhinha chegou e disse: Quero me casar, mas ninguém quer casar comigo.
Eu puxei uma nuvem do bolso e soprei no meio do Banco e os bancários todos deram espaço para aquela nuvem que não tinha porquê. A velhinha dançou na nuvem e um véu da voz de Deus pousou na cabeça branquinha dela.
E cantamos.

Verônica, enxergando tudo verde.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Nirvana



Quando meter meta com força. Quando puder mude tudo de lugar. Mude o ritmo. Troque a posição das mãos. Mantenha.Lamba.Mantenha. Não cuspa, a não ser que eu já esteja encharcada. Não diga nada carinhoso. Se não puder falar coisas sujas com classe, fique calado. Respire. Não tenha medo de me machucar. Quando enfiar, enfie com força. O que acho desprezível é o que mais amo. Ou me trate como uma vagabunda ou me trate como uma rainha. Não fique no meio termo. O meio termo é meu fim. Não desejo manter você aí. Quando levantar no dia seguinte, ou beije desejando ou beije amando. Não me beije morno. Não desejo manter você aí.


Dirty Diana, 08/12/2006, final de dia feliz.

Limpa



Feliz ou triste não importa muito, contanto que eu esteja tranqüila. Quero só ficar quieta.

Verônica.

domingo, 25 de novembro de 2012

Breguinha


Não consigo exprimir em palavras, a não ser que eu pudesse cantar através da folha. Eu vejo os olhos grandes dele e a voz preta entra pela pele e atinge um lugar de pluma que não sei dizer.
Não sei o que dizer, faria uma rima brega bem feliz...

Tarde limpa em Laranjeiras. 02/12/2006.

A sssssssaagrrrrraaaaada.


T3ê tem qu4.
Els trê. Tds
trs.
Dan ços trê.
Ele ela ele.

Verônica, sem saber o que fazer.

Adeus, viúva morta

Viúva morta, segue de preto cabelo escovado passa água de colônia passa batom vermelho ou violeta viúva morta, eu não te amo viúva m...