terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Maria Diocleciana, Edileusa Cotonete e a torta de limão

Edileusa Cotonete por sua vez estava roubando uma torta quando Maria Diocleciana chegou para conversar.
- O que devo fazer?
- Não sei, vamos comer essa torta e beber.
- De quem é esta torta?
- É minha,  vamos embora daqui.
- Se é sua porque você está pendurada no muro com ela na mão?
- Porque sou louca, gosto de fazer shows com tortas nos muros das pessoas- disse isso e jogou os cabelos para trás.
Entraram na casa de Edileusa que logo ligou os ventiladores e trouxe uma faca, dois copos e cachaça.
- Bebe.
Maria Diocleciana enchia o copo e virava como se fosse água.
- Vamos ter problemas por causa dessa torta?
- Ai maldição você não veio aqui pra pedir conselho?
- Acho que vou embora. Não quero mais conselho não, já sei o que vou fazer.
- Ah é? E o que será?
- Vou embora e nunca mais verei Deodoro.
- Edileuzaaaaa! Edileuzaaaaaa!
- Estão chamando por você, ou deve ser pela torta.
- Maldição! Maldição!
- Quer que eu chame os ratos?
- Não querida eu sei me virar. Além disso tenho pavor daqueles bichos.
Foi pra janela a berrar:
- Plebeus! Plebeus! Subam e comam da minha torta de limão, subam, fartem-se.
- Vou beber mais. Não quero ver pessoas agora.
- Subam, comam a minha torta de limão plebeus!
- Você já tá é beba!
- Só vou te dizer uma coisa: come essa torta que você vai saber o que fazer.
Maria Diocleciana muito desconfiada comeu um pedaço da torta que parecia um pedaço de nuvem e esperou pela solução junto com o sabor, mas nada aconteceu e ela foi ficando agoniada e estranha por causa da textura que derretia na boca e isso lembrou Deodoro e ela foi ficando vesga e achou melhor parar.
- Essa torta tem alguma coisa Edileusa!
Edileusa Cotonete não ouvia mais nada. Berrava na janela como se fosse Evita e jogava os cabelos a cada chamado. Aos poucos os vizinhos foram subindo o que apavorou Maria Diocleciana que saiu de lá bêbada e pensando no sabor da torta sem solução.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A historinha de amor/horror de Maria Diocleciana

Maria Diocleciana quando era moça conheceu um rapaz gaúcho chamado Deodoro Raimundo e assim que o viu achou que ele era o homem mais convencido que já tinha encontrado; acontece que de noite Deodoro ligou pra Maria perguntando se ela queria sair, que ia uma turma e coisa e tal. Maria Diocleciana aprontou-se e foi. No encontro não tinha ninguém, só Deodoro que não fez nada a noite toda e ficaram sentados num banco da praça sem fazer nada até de manhã. No dia seguinte Maria Diocleciana deciciu que esse Deodoro era um frouxo e não queria mais saber dele não.  Deodoro Raimundo por sua vez decidiu que Maria Diocleciana era uma porca que comia podrão no primeiro encontro e não queria mais nada com ela não. Ficaram amigos e quando Deodoro se encantou com outra mulher, Maria Diocleciana encantou-se com todos os homens da escola de tiro e com as mulheres também e viveu orgias e bacanais. Deodoro, resolveu então chamar Maria Diocleciana para morar com ele e mudou-se com ela e mais duas mulheres para uma casa velha no interior. Mas Maria Diocleciana não tolerava as outras mulheres. No começo até tentou, mas depois passou a tramar planos de envenenamento e a aproximar-se de ratos e fazer amizade com eles. Ela tentou de tudo para que Deodoro largasse as outras mulheres, mas nada adiantou e então ela soltou mil ratos pela casa nova e expulsou de lá Deodoro e uma das mulheres e ficou com a outra  que ela não era besta. Quando ele se foi, Maria Diocleciana não sabia como controlar seu orgulho ferido e portanto deu um tiro na perna e ficou manca. Ficou manca durante muitos anos, arrastando a perna a cada passo, até que um dia apareceu um médico estrangeiro que passou uma pomada nela e Diocleciana melhorou. Mancava ainda um pouco, mas a pomada aliviava tanto! Era fresca, geladinha, hum...! Mas uma dia acabou e o médico estrangeiro teve que ir embora para buscar mais. Maria Diocleciana sofreu terrivelmente, as dores na perna ficaram mais fortes e piores ao ponto dela não conseguir mais andar. Quando Deodoro ficou sabendo disso apareceu na casa dela, beijou as feridas, passou unguento verde, lavou Maria Diocleciana em água benta. Ela parecia até curada. Ela parecia até feliz. Deodoro acordava cedo, cuidava dela, voltava de noite, dormia com ela. Só que o médico também voltou com as pomadas. Ela não sabia o que fazer. Como não sabia, ficou paralisada vendo as coisas acontecerem. O médico, sentindo-se inútil, foi embora de vez. Deodoro de orgulho ferido arrumou logo outra mulher e desfilou com ela na frente de Maria Diocleciana. Maria Diocleciana foi procurar Edileusa Cotonete para desabafar.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Dos amores que se acabarão

Um dia eu não vou te amar mais. Um dia eu vou acordar e o fato de não saber de você não me causará nenhum pensamento. Vocẽ não roubará mais nenhum minuto do meu dia. Um dia eu não sentirei mais saudades. Um dia você perderá por completo a capacidade de me humilhar  e, mesmo que tente, não me afetará mais. Outras mulheres não me afetarão. Tua maldade não me tocará. Nem você nunca mais me tocará. Haverá um dia em que alguém irá mencionar seu nome em uma conversa na sala, na parte da tarde, e eu não precisarei mais me retirar, nem fingir que não estou prestando atenção. Seu nome será esquecido. Sua imagem um papel amarelado que não carrega mais nada além de um sopro de lembrança sem força ou mérito.  Não me lembrarei de você. Um dia não haverá mais nada. Você não será capaz de me causar mais nada. E eu estarei branca, em paz.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O nome do bofe da Edileusa é Jasão

Edileusa Cotonete pensava no bofe  lindo demais por quem apaixonou-se perdidamente. Com calças azuis de jeans loucos. Foram tempos loucos aqueles onde Edileusa era rippie e iupa iupa. 
Edileusa Cotonete apaixonada quebra tudo, o bofe querendo ou não.  Edileusa resolveu, em homenagem ao seu bofe, fazer o show daquela noite vestida de Medéia :
- Medéia ama Jasão de maneira tão doente e intensa que  matará o irmão por ele, roubará a família, irá morar em outro lugar; ela terá filhos com ele. Então um belo dia ela vai ficar sabendo que ele vai casar com a filha do rei. e que ela será banida, sem as crianças e sem o Jasão. Bem, ela  fica transtornada e mata a princesa com requintes de crueldade. Até aí tudo bem né, porra matasse mesmo- explica Edileusa- filha da puta riquinha filhinha de papai vem querer meu marido, pai dos meus filhos! Porém contudo, Medéia decide matar também os próprios filhos para atingir Jasão de alguma maneira que ele não se recupere nunca. Ela é filha do Sol e vai embora num carro de fogo. 
Edileusa Cotonete acaba o show em cima do palco com um telão projetando fogo atrás dela.
Depois do show saiu pelos fundos da boate para não encontrar Jasão. Não arriscaria assim a vida de seus próprios filhos.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

a morte do amor e a jovem viúva

O amor morreu. Deixou uma jovem viúva de 30 anos. Por isso, avisem por aí: está morto e enterrado, era fraco não suportou ficar junto, não suportou ficar separado. Por favor não deixem de noticiar por aí: o amor está morto! "Só o que se pode fazer é dançar um tango argentino".
A jovem viúva chegou perto do caixão discretamente, o caixão vazio do amor. Era patético que estivesse vazio, mas ela sabia que ele estava realmente morto pois tinha acabado com ele com as suas próprias mãos.
Ela se arrependia, mesmo no momento em que fazia já estava arrependida, mas não pode deixar de fazê-lo. Como não se pode deixar de fazer muitas coisas. Não se pode deixar de sair da casa dos pais por exemplo. Ela não pôde evitar de matá-lo, ela teve que fulminar seu coração com substâncias tóxicas e aterrorizantes. Ele não fez nada. Sua única reação foi receber. Quis que ela ficasse feliz. Pensava nisso enquanto fugia e está escondida em algum buraco no centro da cidade. Agora que o amor está morto, ela não se sente bem. Tem calafrios e crises e usa sempre preto.
Espalhem por aí que a viúva do amor é uma assassina perigosa que não se sente bem . As vezes canta para espantar os males de lembranças asfixiantes. Não pode ser presa. É preciso deixá-la solta, sem amores.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O que tem no whiskas sachê?

Nada aconteceu hoje. Um telefonema. Uma demonstração virtual de afeto. O gato tomou o suplemento vitamínico. Porque eu misturei com whiscas sachê. Com whiskas sachê ele come tudo. Fico me perguntando o que tem nesse sachê. Porque não é o que eles dizem, nunca é. Whiskas sachê provoca paixão. Meu gato seduz, mia, lambe, se enrosca nas minhas pernas, tudo, tudo pelo prazer. Mas isso é amor? Quando se está violentamente apaixonada,  você faz o quê? Deseja que aquilo vire amor? Será que meu gato quer um relacionamento mais sério com o sachê dele? Acho que pra ser amor ele teria que comer todos os dias e nunca enjoar, até agora ele, o meu gato, está comendo. É o momento mais feliz do dia. Um dia faltou. Ele me olhou visivelmente sem entender porque ele já tinha feito todos os procedimentos necessários e mesmo assim, onde estava o sachê? Fiquei arrasada com essa psique toda e fui ao mercado comprar mais sachê pro meu gato, porque se está durando até agora, deve ser amor.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Conversa de bar

Loira-Como você não saiu correndo, menina ruiva?
Ruiva-Eu estava sem capa.
Loira-Como assim sem capa?
Ruiva-Quando ele me beija eu fico tonta, eu fico vesga. Então não é de admirar que eu tenha perdido a capa.
Loira- Você tá vesga agora?
Ruiva- Não agora não, ele está longe e as coisas estão em seus lugares.
Loira- E como faremos para voar agora?
Ruiva- Eu não sei. Você só sabe perguntar. Está há horas aí, horrivelmente, perguntando. Conte algo.
Loira- Vamos velejar sexta. Farei um sarau na quinta. Morreremos hoje.
Ruiva- Interessante. E o que deseja fazer, antes de morrer?
Loira- Desejo ter um orgasmo.
Ruiva- E como faremos para isso acontecer?
( ri muito)
Loira- Não sei. Podemos transar nós duas?
Ruiva- Claro que não.
Loira- Então não sei o que fazer, vamos esperar o godô.
Ruiva- Esse godô nunca vem. Mais interessante seria transar.
Loira- Acontece que nunca fiz isso e não sei como começar.
Ruiva- Posso me deitar e você vem.
Loira- Muito engraçado. Levando em consideração que somos duas fêmeas e posso fazer exatamente a mesma coisa. Deitar e esperar por você. Porém contudo, não quero realmente transar com você.
Ruiva- E posso saber o que é tão repugnante?
Loira- Nada. Apenas o seu jeito de falar.
Ruiva- Como assim meu jeito de falar?
Loira- Não sei explicar. Um certo tom na sua voz.
Ruiva- Isso é ridículo. Você fala sobre coisas que nem entende.  Tom, timbres, coisas relacionadas a uma área que você não possui conhecimento. Por favor, cale-se.
Loira-Isso não é realmente excitante.
Ruiva- Não é excitante, mas é descabido.
Loira- Pode ser se você usar azul.
Ruiva- Uma lingere azul?
Loira- Eu gosto de azul.
Ruiva- Pode ser verde?
Loira- A conta.

 Fim