domingo, 25 de novembro de 2012
Breguinha
Não consigo exprimir em palavras, a não ser que eu pudesse cantar através da folha. Eu vejo os olhos grandes dele e a voz preta entra pela pele e atinge um lugar de pluma que não sei dizer.
Não sei o que dizer, faria uma rima brega bem feliz...
Tarde limpa em Laranjeiras. 02/12/2006.
A sssssssaagrrrrraaaaada.
T3ê tem qu4.
Els trê. Tds
trs.
Dan ços trê.
Ele ela ele.
Verônica, sem saber o que fazer.
Grades
Quando ouviu a voz dele pulou da cadeira. Não o corpo todo, só os ombros e o sorriso que fugia pela sua boca. Não conseguia parar de sorrir. Inclusive sabia que era um absurdo e blá blá blá. O fato é que estava feliz, fantasticamente feliz porque alguém lhe causava aquilo. Porque ele falava delícia se referindo a ela. E ela podia sentir todas as sílabas da palavra escorrendo pela sua perna. Bas-tan-te interessante por trás das grades.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Ébano
Estava no meio da boca. Estava dizendo: Eu queria muito ver aquele sor... Ficou assim aberta no meio da palavra. Sorriu com os cantos da boca e com o meio também, com todos os dentes. Foi caminhando na direção dele sem perceber, porque na verdade estava observando de fora, de muito longe, ele caminhando todo faceiro, com aquele sorr... de dono no rosto. “quero ser sua”- queria dizer, mas não dizia ; dançava numa nuvem.
? Tu vai se esconder como pra não te envolver de novo?Soprava a nuvem de vento.
Soprava a nuvem de vento
Chorava a nuvem de vento
Dormia a nuvem.
Diabo dessa nuvem que não dorme.
Não tem significado, posso até me culpar um sentido, que há um sentido óbvio. Não consigo fazer com que signifique para mim.Estava sempre muito confusa quando se tratava de. A nuvem lhe cortava o cérebro para evitar de contar-lhe tudo.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Pulinho
Não consigo pensardoicabeçamuito. Perfeita não é uma palavra perfeita. Acho que pitanga é uma palavra perfeita. Pitanga, Girimum e amendoim. Zodíaco, desejo, delícia, livre, noite, lmagia, mágica, imagem, cheiro, cheiro grande, sonoros, sensores desejo, Dantchenco e Nemirovith, lua de mel no feno, sagrado, velado Billie, viola, mar. MAR. Enigmática, suntuosa, raiz deusa, musa, mú-si-ca, doida, amiga, ator, corpo, salutérrimo, inenarrável, pedrinha, bolinha de sabão, acesso, acesso, hum... delícia.
Noite densa e leve. Novembro, 2006
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Ego
Amassava morangos com cuspe. Apalpava com muita lentidão e asco do tubo. Cuspiu, amarrou a trança no pescoço e enlouqueceu gritando. Se pudesse matá-la faria lentamente, violentamente e definitivamente. Inferno.
Dirty Diana
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Dentro
Eu e ela sempre fomos uma fumaça embaçada, ela e eu sempre tão soltas quanto presas uma à outra e uma da outra. Tudo sempre ficou meio turvo porque eu, desde que me entendo por gente, estava no meio da queda d´agua entre os dois. Se cada um é para o outro o que doou, então o amor sem dúvida estará ali, todo rasgado e firme.
Toda a revolução está na minha voz, na minha mente me paralisando torta, muitas vezes. Eu fico em dúvida onde nasceu, lá ou cá. Mas não estou disposta a escavar isso loucamente. Acho que eu não conseguiria desembaralhar tudo isso. Eu fico feliz com o arco-íris. Eu estou dentro dele, onde for. Eu vejo vultos pela casa do que era, do que poderia ter sido e do que é.
domingo, 28 de outubro de 2012
Manchado
Você cortou os pulsos e desceu ensangüentado. O seu sangue ainda está escorrendo em mim. Tenho umas presas verdes bem brilhosas caindo de meus cabelos.
Someone on the dark.
(Esquecia e lembrava de qualquer pureza de um dia deles. A melhor coisa da vida: estar com ele, sentados na ponte no meio do mar, trocando pelo sol olhares e toques de amor).
Hoje tem uma mancha no meu sol. Uma manchinha linda branca. Mas o resto, de que cor ficou?
Você sempre me curou de todas as dores, exceto da que me causava.
Dirty Diana, noite de música triste, outubro 2006.
sábado, 27 de outubro de 2012
Pequeno conto do amor perdido
Não entendia porque sempre crescia mais pele. Uma pele ia caindo sobre a outra formando uma cascata. Não sabia que gosto tinha, mas sentia o cheiro.
Gostava.
Esfregava no nariz os dedos para sentir o cheiro. Bonito não era, mas era forte. Tão forte que algumas vezes até parecia bonito. Não sabia onde ele estava hoje. Não se importava tanto. Parecia que tinha uma obrigação de se importar, mas no fundo nem ligava, estava sentindo o cheiro. Será que algum dia a pele ia parar de cair?
Madrugada quente no Rio, outubro de 2006.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Só isso.
Só isso, apenas isso: estava fazendo.
Chegava de madrugada porque estava fazendo. Deixava o cabelo feio e despenteado porque estava mostrando. Ouvia música sempre, mesmo quando fazia no silêncio ou com muito barulho. A frutinha ficou completamente esmagada.
Não pensou em mais nada. Acabou.
Dia claro, outubro de 2006.
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